O QUADRILHÃO EM APUROS

Existiam quatro grandes quadrilhas a saquear o Estado. O procurador-geral da República reuniu todas elas em um único processo e agora parte para punir seus comandantes. Lula, como sempre, é o líder deles.
A QUADRILHA VAI DANÇAR: Integrantes do "quadrilhão” serão denunciados até setembro pelo procurador-geral da República por crimes que podem chegar a oito anos de prisão. Entre os políticos que fazem parte da quadrilha estão: Mário Negromonte, Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha, João Vaccari, Lula e Antonio Palocci (da esq. para a dir.) (Crédito: Reprodução).

Políticos apontados como principais chefes da “organização criminosa” incrustada dentro de três partidos – PT, PMDB e PP – devem sofrer um novo revés nas próximas semanas. Antes de deixar o cargo em 17 de setembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar a maior parte das denúncias contra os 23 integrantes do chamado “quadrilhão” da Operação Lava Jato. Serão denunciados políticos como o ex-presidente Lula e o ex-ministro Antonio Palocci, pelo PT, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) pelo PMDB do Senado, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) pelo PMDB da Câmara, e o senador Benedito Lira (PP-AL) e o ex-deputado Mário Negromonte (PP-BA) pelo PP. Janot vai apontar esses e outros políticos dos três partidos que sustentaram os governos petistas no poder como mentores de um esquema de arrecadação de dinheiro em estatais e órgãos do governo, em conluio com grandes empreiteiros de grandes obras públicas. A acusação contra eles será a de crime de organização criminosa, cuja pena varia de três a oito anos de cadeia.

De acordo com Janot, os políticos do PT, do PMDB do Senado e da Câmara e do PP formaram um grupo criminoso com o objetivo “de saquear os cofres públicos” beneficiando empresários amigos e financiando as atividades desses partidos. Para a PGR, existe “uma teia criminosa única”, mas com “núcleos políticos” diferentes neste “grupo criminoso”. As cúpulas dos partidos que compõem o “quadrilhão” montaram também um esquema de “enriquecimento ilícito com fim de beneficiar seus integrantes, bem como financiar campanhas eleitorais, a partir de desvios públicos de diversas empresas estatais”, segundo Janot.

O procurador-geral narrou em documentos que integram os quatro inquéritos do “quadrilhão” que, inicialmente, “alguns membros do PP, PMDB e PT, utilizando as siglas partidárias, dividindo entre si, por exemplo, as diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional de Petrobras” para a arrecadação das propinas. “Como visto, a indicação de determinadas pessoas para importantes postos chaves do ente público, por membros dos partidos, era essencial para implementação do projeto criminoso.

Entretanto, os crimes se arrastaram para outros órgãos do Estado. “Os elementos de informação que compõem o presente inquérito modularam um desenho de um grupo criminoso organizado único, amplo e complexo, com uma miríade de atores que se interligam em uma estrutura com vínculos horizontais”.

Parte do raciocínio do procurador-geral da República sobre o chamado “quadrilhão” está na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Lula pela posse do triplex, no Guarujá. Nela, os procuradores narram fatos de um governo regido por propinas, a chamada “propinocracia”, para contextualizar a acusação de que o petista ganhou um apartamento e a armazenagem de bens da empreiteira OAS em troca dos favores que concedeu à empresa de Léo Pinheiro. Lula não foi denunciado pelo crime de organização criminosa exatamente porque essa parte faz parte da denúncia do “quadrilhão” e é tratada no Supremo Tribunal Federal. (Isto É)

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